Cuca defende Jô e diz que 'a sociedade não está preparada' para fair play

Cuca defende Jô e diz que 'a sociedade não está preparada' para fair play

- Categoria: Esportes

O Gol de Jô, com o braço direito, que deu a vitória ao Corinthians sobre o Vasco por 1 a 0, foi assunto da Segunda Campeã do "Bem, Amigos!", após o triunfo do Palmeiras também por 1 a 0 sobre o Coritiba. E o técnico do maior rival do Timão, Cuca, defendeu o centroavante, com quem trabalhou com o atacante no Atlético-MG. O treinador afirmou que a sociedade brasileira não está pronta para um jogador se acusar e prejudicar sua própria equipe por fair play.

- Eu conheço muito bem o Jô, foi meu jogador no Atlético-MG. Em 2012 e 13, ele nos ajudou muito. Conheço a índole dele, uma grande pessoa. Não sei se, hoje, o Jô pudesse voltar atrás, se ele não voltaria. Mas eu faço a seguinte pergunta. Nós estamos preparados para isso, a nossa sociedade, para um jogador fazer o gol e dizer que não foi gol? Como a torcida ia se portar em relação a isso? O lance do Rodrigo Caio já foi toda aquela celeuma, imagina o Jô, que ia praticamente tirar do Corinthians dois pontos importantes para o decorrer do campeonato. De repente queria dizer, mas não dá. Nossa sociedade não está preparada para a gente dizer que não foi. Basta ver nossos exemplos, lá no Senado. Os caras lá vão dizer: "Isso aqui não é meu, vou devolver". Os exemplos no país fazem com que, infelizmente, muitas vezes o jogador não possa falar a verdade - disse Cuca.

Cuca, após a vitória do Palmeiras, saiu em defesa de Jô, após gol com o braço

- De repente, hoje, o Jô quisesse voltar atrás e dizer que foi mão. Se o Corinthians faz um gol, ganha de 1 a 0, fica beleza, "o Jô é gente boa demais". Não faz o gol, empata 0 a 0, "vamos pegar o Jô depois do jogo". Então, como o jogador fica? A gente vai culpar o jogador? Tem que entender que é esse o nosso sistema.

O meia Moisés, do Palmeiras, também defendeu que Jô não poderia se acusar na hora do jogo. Porém declarou que o atacante do Corinthians poderia ter confessado após o jogo. Além disso, lamentou que o árbitro do vídeo só será implantado apenas após uma grande polêmica.

- A gente não sabe como seria a reação do torcedor se o Jô falasse que foi mão. Acho que ele pode ter falhado só em não admitir que foi mão. Porque ali no jogo, ele tem que ir com tudo mesmo e fazer o máximo pelo seu clube, como ele fez. O problema foi depois ele não falar na zona mista. Ele já tinha visto, ele poderia assumir. Acho que seria mais legal. Mas, no nosso país, as coisas acontecem só depois de uma coisa brusca, absurda, que têm uma repercursão grande, que resolvem mudar. O árbitro de vídeo já vinha sendo falado há muito tempo, e ninguém teve coragem de colocar no começo da competição. Aí acontece um lance importante, e as pessoas querem colocar. Infelizmente, nosso país não está preparado e tem que evoluir, não só no futebol.

Cuca também defendeu o uso do árbitro de vídeo, criticou que o sistema será implantado na reta final do Brasileirão. O técnico também afirmou ter dúvidas sobre as regras de como será possível usar o vídeo.

- A gente quer que as coisas sejam claras. O que é meu é meu, o que não é meu não é meu. Tem que ser uma coisa bem estabelecida. Como vai fazer isso no meio de uma competição, faltando 15 jogos. Tinha que ser no começo. Qual é a regra? Eu posso pedir, como é no tênis? Eu quero ver se foi fora ou não, se foi pênalti ou não? É o juiz que vai decidir? Senão vai continuar existindo erro. Tem que clarear as coisas para nós. Depois, vai demorar um minuto e meio para ver, e ele vai acrescentar? Tinha que ser desde o começo da competição e em todos os jogos. Não adianta botar só no jogo que é televisionado, só no jogo grande. O campeonato é importante para os 20 clubes, então tem que ter em todos os jogos.

Jô marcou com o braço o gol da vitória do Corinthians sobre o Vasco (Foto: reprodução/vídeo)Jô marcou com o braço o gol da vitória do Corinthians sobre o Vasco (Foto: reprodução/vídeo)

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